“A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa” (Sl 128.3).
Muitos casais têm dificuldades em estabelecer e manter um canal de comunicação entre si e os filhos. Em alguns casos, até parece que pais e filhos falam idiomas diferentes ou usam códigos incomuns. Somado a esse problema, existe também o chamado “choque de geração”, onde a linguagem do filho conflita com a do pai.
Há também outro problema que envolve a falta de comunicação na família. A vida moderna está vinculada à informação e à imagem. A cultura secular tornou-se mais visual do que dialógica, e a internet é uma das grandes representantes dessa nova cultura que une comunicação, tecnologia e representação gráfica. A tecnologia da informação, por exemplo, tomou conta de todas as áreas da vida moderna. Em certo sentido, trata-se do cumprimento da profecia de Daniel 12.4 que diz: “E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará” (grifo nosso). Portanto, é um grande desafio para a família saber usar e controlar os meios de comunicação no lar.
E o que é comunicação? Comunicação é o processo verbal ou não verbal de transmitir uma informação a uma pessoa de maneira que ela entenda o que está sendo dito. Os estudiosos do assunto classificam a comunicação em quatro níveis ou estágios, vamos numerá-los observando a comunicação, desde a sua forma mais básica à sua dimensão mais eficaz:
Nível Um – Neste nível a comunicação é superficial, do tipo que dá a entender que está tudo bem. São usadas expressões, tais como: “Bom dia!” – “Olá! Tudo bem?” – “Será que hoje vai chover?” – Esse é o nível de comunicação no lar mais simples; isso indica que a comunicação é superficial.
Nível Dois – Neste nível de comunicação, a família está contente por simplesmente relatar fatos, reportar opiniões de outros, sem fazer nenhum comentário substancial. Por exemplo, “Como foi o seu dia de trabalho hoje?” ou “Hoje fulano (a) ligou pra mim.” E só; eles não se expõem, não falam de seus sentimentos.
Nível Três – Neste nível de comunicação a família começa a revelar suas ideias e pareceres. É o início de uma comunicação real entre o casal e os filhos. Por exemplo, “Hoje você está muito bonita.” – “Eu não gosto quando você grita com as crianças.” – “Vamos levar as crianças para passear.” – “O almoço estava realmente uma delícia”. É o nível em que a família se dispõe a correr o risco de colocar o que pensa e de propor soluções próprias.
Nível Quatro – Este é o nível de comunicação mais eficaz. A família está aberta a partilhar seus sentimentos, opiniões e pensamentos. O diálogo está baseado em honestidade e abertura. Há um sentimento de confiança, cumplicidade e sinceridade. Para a família não é fácil atingir este nível, e quando o atinge torna-se difícil mantê-lo, mas não é impossível, pois isto é vital para todas as famílias; a comunicação plena.
Talvez o conceito mais importante na comunicação seja o de reconhecer que ela é sempre uma estrada de duas vias, isto é, não é somente falar, mas também ouvir (Ec 5.1,2). O cônjuge que sabe ouvir está presenteando seu esposo (a), ou os pais aos filhos ou vice e versa. É uma atitude que revela amor e carinho. Há uma grande diferença entre ouvir e escutar. Escutar é fundamentalmente receber o conteúdo ou informação. Ouvir é preocupar-se com o que o outro está dizendo.
Para serem bons ouvintes, as famílias devem superar alguns obstáculos, tais como:
1) Atitudes preconceituosas que cada membro da família tem um para com o outro.
2) Querer ocupar uma posição de defesa, sempre atacando o outro.
3) Interrupção – não tem paciência para ouvir todos os detalhes até o fim e a intensão de cada ato.
4) Chegar do trabalho ou da escola (universidade) e acessar imediatamente as redes sociais sem dar atenção ao cônjuge ou aos filhos. Há muitos adolescentes, jovens e adultos que se tornaram viciados e escravos da internet. Não oram, não leem a Bíblia, não frequentam a Escola Bíblica Dominical, pois se deixaram escravizar por cenas e imagens geradas por pessoas sem compromisso com Deus.
5) Falar no momento errado. A Bíblia diz: “O homem se alegra na resposta da sua boca, e a palavra, em seu tempo, quão boa é!” (Pv 15.23). O exemplo é discutir algum problema quando um ou ambos estiverem cansados ou na presença dos filhos, ou mesmo em público.
6) Muitas famílias já não comem à mesa, mas, em frente da televisão fazem suas refeições. A televisão tem sido um forte agente influenciador na família, através de sua programação muitos lares têm mudado seus conceitos e hábitos familiares em diversas áreas, como: pensar, falar, vestir, relacionamento entre pais e filhos e marido e mulher (Sl 101.3).
Toda vivência familiar atravessa conflitos. Não existe um lar que não sofra um transtorno, ou um
desentendimento (Jo 16.33). Mesmo que seu comprometimento para com o sua família seja plena, haverá momentos de irritação, impaciência, discussão e lágrimas. Se conseguirem superar a falta de comunicação e lutarem juntos, serão vitoriosos em Cristo Jesus (Rm 8.37).
Deus responde nossa oração quando, humildemente, pedimos perdão, confessando nosso erro (I Jo 1.9). Perdoando-nos, Ele restaura a nossa amizade e o nosso relacionamento. Porém, diante de tudo o que vimos, as famílias cristãs devem observar duas coisas importantes:
Faça o Culto doméstico diariamente para promover uma comunicação eficaz (Dt 11.18-21) – Esse é um poderoso recurso espiritual para unir a família em torno do Senhor, através da oração, adoração e meditação na Palavra. Com apenas 15 minutos diários, os pais podem estar com os filhos louvando a Deus, lendo sua Palavra e orando com e por toda a família.
Dedique-se ao seu Lar e à sua família mantendo uma comunicação sadia (Sl 128.1-4) – Os filhos são herança do Senhor (Sl 127.3), portanto, são preciosos (Jr 31.20). Há pais cristãos que não dispensam aos filhos o necessário cuidado e atenção. Por isso o Diabo, valendo-se da omissão paterna e materna, tem procurado preencher essa lacuna com falsas amizades que lhes ouvem e lhes aconselham erroneamente.
Comunicar-se é uma arte! Gastamos a vida inteira para aprendermos como ser eficientes nela. Na nossa vida enfrentamos constantes provas, e a cada prova precisamos nos dedicar para sermos vencedores, porém a Palavra de Deus dá-nos as diretrizes pelas quais, conquistaremos a vitória: Estar em Cristo, pois em Cristo nós somos mais do que vencedores (Rm 8.37). Ter a Palavra de Deus em nossa vida (Sl 119.11) e não amar ao mundo com suas influências (I Jo 2.15-17).
Pb. Wellington Santos - IEADPE
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