Mais que um exemplo de superação, o engenheiro agrônomo Luiz Thadeu Nunes, 58, mostra que com planejamento é possível realizar os sonhos mais profundos. Além do largo sorriso e muita vivacidade, o ilhéu de São Luís, no Maranhão, traz na bagagem as imagens e aspectos culturais de 110 países que visitou ao redor do Mundo, além de traçar metas ousadas para desbravar outras localidades.
O que poderia ser tratado apenas como mais um visitante apaixonado por viagens e que gosta de "turistar" pelo mundo, o uso de muletas o diferencia. As muitas histórias de viagens narradas pelo Luiz não tiveram um início feliz, muito menos prazeroso. Há 13 anos, em viagem ao Rio Grande do Norte, um acidente de carro resultou em 43 cirurgias e roubou o movimento em uma das pernas e, desde então, passou a usar muletas para se locomover.
Após quatro anos de tratamento, com o desejo de recuperar o "tempo perdido", ele aceitou o convite do filho para visitar a Europa, e não mais parou. "Quando eu cheguei lá, percebi que poderia conhecer qualquer lugar no mundo. Eu quis compensar o tempo perdido e ter experiências gratificantes. Para mim, viajar é o melhor presente", disse.
A partir daí, as viagens foram acontecendo, mas com muito planejamento. "Sou uma pessoa de sonhos profundos e bolso raso. Quem quer conhecer o mundo tem que sair de seu lugar comum. Como eu não tenho muita grana, eu me adapto a qualquer situação. E a minha maneira de escolher o local é simplista: coube no bolso dá pra viajar", explicou.
Fernando de Noronha – No último final de semana, com o apoio da Administração Distrital e do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade – ICMBio, ele desembarcou em Fernando de Noronha e passeou pelos pontos turísticos da ilha. Em Noronha pela segunda vez, o maranhense visitou o Palácio de São Miguel, na Vila dos Remédios, onde conheceu a diretora de Planejamento e Gestão, Mariana Suassuna, em uma conversa informal sobre turismo e acessibilidade. Por lá, aproveitou para saber mais sobre a importância de Fernando de Noronha na história do Brasil, no Museu Memorial Noronhense.
No roteiro, as praias do Sancho, Sueste e Cacimba do Padre. "Eu visitei a Austrália, Nova Zelândia, Zanzibar, Ilhas Seischeles, Ilhas Maurício, e quase todas as ilhas do Brasil e pequenas ilhas da Europa, Islândia, Samoa e Ilhas Virgens. Eu conheço quase todo Caribe. Porém, Noronha é hors concour, primeiro porque é dentro do meu país, segundo pela preservação da natureza e a beleza que é fantástica. Todos os lugares que eu tenho visitado no mundo, todas as pessoas querem vir pra conhecer o arquipélago. Eu vim a Fernando de Noronha em 2014, estou mais uma vez e pedindo a Deus pra voltar, por causa do fascínio e magia que só Noronha tem", disse.
Com a próxima viagem agendada para o dia 27 de março, ele chega à Ásia para cumprir a meta de 120 países. "Eu desço por Bangkok, na Tailândia, e vou fazer um roteiro em 10 diferentes países. Até o final de abril e começo de maio, eu atinjo a meta. Depois vou sentar e planejar a volta ao mundo completa a partir de agosto, quando vou conhecer 15 diferentes países, sendo que eu vou pisar em todos os cinco continentes e tomar banho em todos os oceanos da terra", revelou.
Mas como visitar tantos lugares sem tantos recursos? As experiências de Luiz Thadeu, todas as suas histórias e as magníficas imagens ao redor do mundo, farão parte de um livro, onde dará dicas para começar a planejar viagens e, como ele, superar os obstáculos, inclusive do idioma e cultura. "Quem quer conhecer o mundo tem que sair de seu lugar comum, da sua zona de conforto. Como eu não tenho muita grana, eu me adapto a qualquer situação. E a minha maneira de escolher o local é simplista: coube no bolso dá pra viajar. É preciso pesquisar e ter muita persistência. Como essa é a minha paixão, olho preço de passagens e promoções aéreas todos os dias, em um site que reúne essas informações", explicou.

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