O Sabadão – O palco dos papangus


O imaginário popular só floresce em mentes privilegiadas, onde habita sobre tudo a capacidade de se transformar ideias em ações reais, normalmente finalizadas com êxito e principalmente aceita pela imensa plateia que admira e faz apologia à cultura de um povo. Ao contrário da ‘cultura de elite’, a cultura popular surge das tradições e costumes e é transmitida de geração para geração, principalmente, de forma oral. O mais importante na arte popular, ou cultura popular, não é o objeto produzido, mas sim o artista, o povo, a periferia, isso faz com que a arte popular seja contemporânea ao seu tempo e lugar.  Desta maneira chegamos a fácil conclusão de que a cidade de Bezerros no estado de Pernambuco, é um grande celeiro de artistas anônimos, mas também de grandes nomes na cultura pernambucana.
Parte do nosso povo tem aptidões excepcionalmente voltadas para isto; temos uma imensidão de artistas com artes diversas, mas é sem dúvida a figura do papangu, a maior expressão desta cultura bezerrense, nascida há mais de 100 anos, quando os primeiros mascarados saíram às ruas para brincarem a festa de momo e segundo contam os historiadores, tinham objetivo de não serem reconhecidos, e chegavam nas residências para beberem e saborearem o angu, uma comida feita de milho e muito parecida com xerém. Desde então a tradição foi passando de geração em geração e hoje o Bloco dos Papangus de Bezerros, é o maior atrativo do domingo de carnaval na cidade de Bezerros.
De hoje até a quarta-feira de cinzas, o povo pernambucano se volta para o carnaval e grande parte deste povo vem a Bezerros, onde os papangus transformam as ruas da cidade em um grande palco, com alegorias só imagináveis aos que são inspirados na arte e na cultura; uma explosão de cores e fantasias espetaculares, atraindo mais de 300 mil turistas  e muitos deles já estão tão incorporados a festa que voltam já como papangus no próximo ano e ainda trazem outros visitantes para conhecer os papangus de Bezerros. Antes esfarrapados e vestidos em paletós velhos e luvas feitas com meias, os papangus foram evoluindo e atingiram o glamour das fantasias estilizadas, comparáveis as usadas por carnavalescos dos mega eventos, e alvo de cinegrafistas e fotógrafos do mundo inteiro, que vêm a Bezerros participar do grande palco dos papangus.
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